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O tempo dos momentos tangíveis

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05setembro 2018
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Não permita que o tempo destrua o seu tempo.

A era da paixão entre os dedos e o teclado nos oferta um mundo infindável de conteúdo e conhecimento, mas irei dissertar sobre o ônus dessa tendência que virou rotina.

Na era em que sorrisos viraram emojis, diálogos se transformaram em comentários e calor humano passou a ser expressado em likes, corremos apressadamente contra o tempo para cumprirmos com as nossas obrigações, sem notar que lutamos para ganhar alguns minutos ou horas perdendo um tempo precioso: O tempo dos momentos tangíveis.

Momentos tangíveis que são catalogados em três estados:

As coisas palpáveis, habitadas na prateleira e que depois de um tempo passam a ser tocadas somente para a remoção de poeira, eu chamo de recordação.

Os cenários por onde passamos – deixando um pouco de nós e levando o muito de outros – eu chamo de lembrança.

Aquilo que possui múltiplos significados e que dão sentido ao próprio sentido revelando os mais legítimos e autênticos sentimentos, eu chamo de memória.

Nada permanece permanente no tempo; a memória sim!

Muda-se a cor dos cabelos, muda-se de cep, muda-se o formato das nossas roupas e o seu tamanho, muda-se de emprego, de geladeira, de escova de dentes, mas a memória, jamais!

Memória e sentimento são irmãs gêmeas; impossível pensar em uma sem deixar de sentir a outra, mas como todo parentesco, se não houver a manutenção do carinho, o descaso potencializa o litígio.

Pense comigo: Certas justificativas deveriam ser injustificáveis, uma delas, o “muso inspiracional” dessa crônica: O tempo e a falta dele.

Falta de tempo para caminhar num parque, de se jogar na grama com outra ferramenta imortal que sobrepuja a ação do tempo, a música. Falta de tempo para rever os amigos, para andar de bicicleta, para reviver um brinde ao lado de quem estava com você e que hoje continua com você de mãos dadas com o tempo.

Justificar que falta tempo é ofender a sua falta com o tempo e com você mesmo, porque o tempo vai passar, ele não liga para a sua falta de tempo, mas as oportunidades de recordar lembranças, de reviver memórias, de construir novas recordações é interromper com aquilo que nos faz sentir pulsantes, vitais, necessários: a nossa história.

Hoje é dia do irmão e aproveito essa oportunidade para pedir que todos refletissem sobre as justificativas que semeamos diariamente. Quais os frutos que germinarão dessa árvore chamada vida se continuarmos justificando o injustificável?

Que todos nós possamos repensar sobre as nossas atitudes para não termos o impacto daquilo que chamam de arrependimento, mas eu ainda prefiro chamá-lo de memória mal esquecida.

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