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Sociedade anti-sofá

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23abril 2018
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Em face da nossa teimosia em brincar de “esconde-esconde” com as nossas realidades, a gente se sabota, se adultera e se contamina em uma auto colonização equivocada de nós mesmos. 

Eles falam mal do Dia dos Namorados querendo um dia protagonizar uma mesa de jantar a dois.  Levantam orgulhosamente e afonicamente a bandeira do Dia dos Solteiros exclamando-se em redes sociais e não se tocam que o protesto infantil não é uma questão de opção, e sim de incompetência em estarem sozinhos. 

Eles levam horas e mais horas se produzindo, mas na balada, no club ou no barzinho com som ao vivo, mais parecem seres de uma “fabricação em série”, todos com o mesmo dialeto e com as mesmas roupas. 

A carência por um cavanhaque roçando o pescoço é muito mais forte que o medo do auto enfrentamento num sábado – sozinha – entre o sofá, livros e a HBO. 

O ímpeto de comprar um camarote e se exibir com Chandon cheio de foguinhos de artifício na garrafa é muito mais forte que a meditação de ficar em casa assistindo o UFC sozinho ou curtindo o sobrinho com a família. 

E assim a vida segue em lugares cheios de gente vazia: 

“Aqui estou de volta, sem perder a razão das minhas defesas. Aqui estou de volta sentindo-me só, mas entorpecendo o vazio por meio de olhares insinuantes e justificativas entre amigas. 

Aqui estou de volta; salto alto, tinta na epiderme vislumbrando uma gola em “v” com o peito depilado e braços torneados. Se ele disser que estou linda e perguntar meu nome já me sinto plena e convicta das “minhas realidades”. 

Aqui estou de volta, francamente, não me importo em fazer atividades que enalteçam a minha saúde, gosto de fumar, gosto de encher a cara e amo selfies com garrafas de Veuve Clicquot, Absolut ou Smirnoff, quando não tem playboy chamando pro camarote a gente caça na pista com ostentação. 

Balanço as coxas até dar câimbras, bebo até perder a postura (postura?), mas chego à minha casa satisfeita pelo que vivi, afinal de contas, amanhã a vida acaba, temos que viver tudo que há pra viver, não é mesmo? 

Outra coisa que não me importo e também não perco o meu tempo são com as indagações que os amigos mais velhos, mais experientes, namorados ou casados me fazem, não me aniquilo por certos porquês: 

Por que estou aqui? Por que tenho 33 anos com pele de um crocodilo com um centenário de vida? Por que gasto horrores com xampus “fancies” se vivo fedendo cigarro? Pra que cremes e mais cremes se pareço um guaxinim com olheiras intermináveis? 

Aphe, cada perguntinha besta pra se fazer, não ligo pro que dizem. 

Aqui estou de volta, as coisas perderam o sentido, a rotina literalmente acabou com a festa, mas eu to aqui pra ver e ser vista, afinal de contas, a única coisa capaz de sobrepujar o tempo é o Ego. 

Mudam-se as maquiagens. Mudam-se o dress code. Mudam-se os cabelos, mas a festa do branco, o festival sertanejo ou a feijoada com pagode continuam “bombando”, e é isso que realmente importa.” 

E assim ela vai aos embalos de terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo à noite, sem conhecer, claro, um John Travolta da vida.

A real é que pessoas que agem com autenticidade estão dentro de casa, talvez por isso haja tanta gente boba e desinteressante falando da idiotice dos que estão na balada, sem se dar conta que estão dividindo o mesmo balcão ou a mesma pista de dança.

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