Um dos maiores equívocos que cometemos é o de alimentar expectativas, e é no campo do amor que isso se evidencia mais.
No amor, por exemplo, procuramos a vida inteira a pessoa que queremos passar o resto de nossas vidas, quando na verdade, o mais assertivo, seria o de se tornar a pessoa que você deseja passar o resto de sua vida e, com certeza, postulantes surgirão.
O amor se encontra na naturalidade de cada um e, por ser único em cada pessoa, não deve ser julgado ou moldado à maneira do outro, isso é sentimento de posse, uma condição simplista e mal interpretada do amor.
Entretanto, nos dias atuais, estamos confundindo naturalidade (liberdade de ser individual) com superficialidade (egolatria e individualismo), queremos comandar! Queremos impor nossas necessidades e jogar nosso histórico de fracassos e sombras internas no colo do outro. Vale lembrar que embora não haja matemática no amor, existe uma regra imutável: para amar ao próximo, é preciso se amar antes.
Carl Gustav Jung é autor de uma frase que sintetiza muito a dificuldade de nos relacionarmos nos dias atuais: “Conhecer a sua própria escuridão, é o melhor método para lidar com a escuridão dos outros”. Perceba peculiarmente nessa frase que a questão é “lidar com a escuridão dos outros” e não “conhecer ou entender a escuridão dos outros”. Muitas vezes você não terá acesso a este “porão” da pessoa e , a bem da verdade, muitos nascem, crescem e morrem sem nem ter conhecimento desse porão.
Por isso, fica claro e nítido que amar é ter empatia e respeito por tudo que vem do outro, principalmente pelo seu “porão”, é entender que se ele ainda não pegou vassoura e a pá pra dar aquela faxina no porão dele, é porque a sujeira ainda não incomoda, ao invés de se preocupar com a obrigação que é dele, atenha-se a sua! Ninguém tem porão livre de poeira e de sujeira nessa vida, entender o contrário disso, é viver uma ilusão gerada pelo ego.
Em linhas gerais, amar é se tornar, gradativamente, um ser pleno, ou seja, alfabetizar suas emoções de acordo com as emoções e sensações do outro. É entender que amar não é encontrar a pessoa certa, é se transformar na pessoa certa, porque amar é transmutar, é traduzir, é passar (quando útil) por uma metamorfose em busca de crescimento e maturidade para, acima de tudo, continuar seguindo, juntos, como seres individuais, não individualistas.
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