
PIRÂMIDE VS CONSTELAÇÃO
Eu acho que todo escritor, cronista ou aspirante a tal tem algo em comum: Delírio, fantasia, imaginação, ou seja; Viajar na maionese mesmo. Hoje eu acordei pensando: Já imaginou colocar no mesmo conceito a Pirâmide de Maslow e a Constelação Familiar? Ambas criadas (claro) por psicólogos: Abrahan Maslow e Bert Hellinger. Se uma explica a teoria das necessidades humanas dentro de um funcionamento hierárquico (procura no Google que é mais fácil) a outra, por sua vez, busca desvendar questões mal resolvidas entre ancestrais da sua família (procura no Google que é mais fácil parte II). Mas como entender necessidades sociais, necessidades de segurança e proteção, de autorrealização, controle de emoções, reconhecimento (dentre muito mais) sem depender da resolução dos entraves parentais (de familiares encarnados e desencarnados) que geraram, em torno de centenas de anos, sentimentos variados como rancor, mágoa, desmerecimento, conflitos, abortos, dentre tantos outros? Agora, vai mais a fundo e pensa: Além desses dois conceitos, o cara ainda pode ser: budista, espírita, praticar o autoconhecimento, fazer meditação, yoga, acreditar em Alien, ser terraplanista... Cara? Fodeu! Agora eu entendo como é hard demais chegar a fase adulta! Todo mundo vive um ciclo penoso sobre se perder no caminho da própria vida, se achar e se perder novamente. E dosar todas essas informações num corpo só? Se exageramos na organização, criamos uma identidade psicológica metódica. Se somos sentimentais demais, criamos um tumulto na vida afetiva. Se somos racionais, criamos uma rigidez e uma inflexibilidade comportamentais. Como agir com empatia sem ser conformista com tudo? Como direcionar o ego corretamente? Como adotar a humildade na humanidade sem ser confundido com humilhação? Como termos amor-próprio sem a empáfia do excesso de confiança? Como ser inquieto sem produzir mal-estar e instabilidade mental? Como afinar nossa visão correta de mundo? Mas existe uma pergunta mais assustadora que a pergunta acima: Temos tempo para tudo isso? Eu ando muito cansado, às vezes tenho vontade de ter um interruptor que desliga pensamentos, sinto uma sensação de fraude, de inutilidade, mesmo entendendo que, essencialmente, não sabemos quem somos, o que queremos, muito menos o que fazer para dar direção à nossa existência. Somos cobrados demais porque cobramos ou cobramos porque somos cobrados demais? Às vezes eu gostaria de poder voltar para o conforto da ignorância e viver no automático como os outros "normais" mas eu avancei demais para regredir, meu cérebro jamais encolherá uma vez que já se expandiu. O grande propósito não está em vencer na vida, e sim, vencer a si mesmo. “O conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância.” - Buda

EXISTE VIDA SEM FÉ?
O grande problema é que não tem matéria sobre fé nas escolas, desde que ela venha acompanhada de uma outra matéria adversa de outras: a religião. Qual o motivo de separarmos a ciência dessa “filosofia” uma vez que ela é parte de uma trindade basilar a qual crescemos sobre ela? Reforço que este texto não tem o propósito de convencer ninguém a qualquer tipo de religião, aqui, o tema será religiosidade. No atual mundo em que vivemos, ou nos deixamos esmagar pela realidade, que nos distancia da sensibilidade ao próximo, ou navegamos em mares que nos fazem descobrir camadas cada vez mais profundas de nós mesmos, aquelas em que a luz solar não chega, sabe? Independentemente de qualquer coisa, ela pode se dar de forma laica ou religiosa. Por isso insisto, aqui, falo de fé raciocinada, aquela fé que tem embasamento, que não é preconizada pelo fanatismo e por obscuridades que não se enxerga, a fé raciocinada se debruça em fatos e na lógica onde você tem certeza e essa certeza te faz compreender porque todo conhecimento liberta. A vida possui tantos capítulos inesperados e imprevisíveis, mas se temos algum conhecimento para nos apoiar, a nossa história, ou a próxima página, poderá ser compreendida e mais resiliente, a fé faz isso: ensina, prepara, consola. Entretanto, por não aprendermos o mecanismo ou o funcionamento dessa fé desde quando se aprende o “abecê”, as diversas amostras de religiosidade que ando vendo por aí não cobririam o pé de um santo sequer, e assim, todos passam frio e muitos buscam se esquentar no egocentrismo ilusório das redes sociais. Mas como evitar essa hipotermia sentimental? A pergunta mais cabível seria: Você realmente quer sair desse iglu que você criou à sua volta? Vejo marcas perambulando pelas ruas; indivíduos que passam do seu lado sem virar o pescoço para um olá, como tem passado? Chafurdados em suas ideologias, tentando persuadir o outro com suas verdades absolutas, vivendo uma absorta contradição: Não dão bom dia, mas não vivem sem os views do Instagram, fazendo qualquer coisa em busca do holofote. Mas e aquela luz que deveria vir de dentro? Por que tanta competição ou culto em ser desejado apenas fisicamente? Todos os humanos são iguais, mas alguns mais iguais que outros, é isso mesmo? Por isso a fé é algo tão maneiro, ela não une pessoas, ela unifica propósitos. Ela impacta e contagia quem quer ser “infectado” por ela, simples assim. Entretanto, e para tudo existe um tanto, a fé precisa vir do coração; religiosidade que não fala ao coração, morre na cabeça.

DIA DO HOMEM
Quando ouço a palavra "homem" me remeto diretamente a virilidade, mas não a virilidade dessa cultura falocêntrica que todos insistem em valorizar, inclusive o sexo oposto. Me refiro a virilidade incomum, que poucos a usam e que tantos poucos a enobrecem: a virilidade moral, o manuseio apropriado de suas ações e de seus neurônios, a busca pelo equilíbrio entre o físico e o espiritual, entre o medido e o desmedido, entre a coragem de se enfrentar e a comodidade em não se aceitar... Virilidade moral para muitos é tão desconhecido quanto a atmosfera de Marte, e tão desconcertante quanto relembrar os catetos da hipotenusa, by the way, tem muito homem por aí (ou seria macho?) cuja as atitudes primitivas, a postura crassa e o pensamento reducionista são tão idênticos quanto um triângulo equilátero. Uma coisa é certa: Sempre existirá o homem e o macho e sempre haverá demanda para ambos (anos de terapia podem explicar a frase). Mas e o machismo? O machismo é inato dentro de nós, mas ele pode se tornar um apêndice a ser extirpado, basta demolir certas patologias sociais. Basta entender que a "vagaba" e o "pegador" são tão iguais e inadequados quanto a "vagaba" e o "pegador". Que não há motivo de deboche nas pausas dramáticas de um homem, ninguém aqui veio com super poderes, o choro é livre e bonito. Que se uma mulher estiver bêbada significa que ela está bêbada e não que vai dar pra você! Castração analítica é ambivalente, se serve para você que ofendeu uma mulher trânsito, servirá para a sua irmã que também foi ofendida no trânsito. Na verdade, machismo e feminismo dependem de tolerância, senão vira antítese gramatical e social. Precisamos enxergar além do casulo. Inexiste homem perfeito, mas o homem ideal poderia dar valor também a outros tipos de suplementos, tais como: Indulgência, resiliência, tolerância, coletivismo... Triste é ver que nós homens (ou muito de nós) não ultrapassam a zona cômoda do modismo porque preferem deixar tudo como está e é aí que mora o problema: a prioridade incorreta das nossas reflexões. Aceitar-se que é imperfeito já seria um bom começo para buscar a perfeição, mesmo que ele só exista nos contos de fada.

SERÁ QUE A GENTE MUDA?
A genética é incrível, principalmente quando se trata de mudanças. A metamorfose é uma delas! Escrita no Templo de Delfus na Grécia antiga, Sócrates foi o primeiro bípede pensante a tentar decifrar e alertar que a metamorfose não se aplica somente ao reino animal, e dói tanto quanto para nós! Já imaginou a dor de uma lagarta entrando em sua crisálida e depois saindo como uma borboleta? As meigas joaninhas também passam pelo mesmo processo, abelhas passam, gafanhotos e mamíferos também. Se você almeja "voar" conscientize-se de que antes você passará pela dor da mudança. Para mudar, precisamos entender os efeitos da fotossíntese e a aprender com uma outra classe existencial, a das plantas. O reino vegetal nos ensina de forma simples que o que formula uma parte da nossa inteligência e existência é o fato de assimilar experiências e ensinamentos vida afora. De forma prática, a fotossíntese é definida como um processo em que a energia solar é capturada e as moléculas orgânicas são produzidas, ou seja, as plantas absorvem energia solar e a transformam para produção de seu próprio alimento. De forma simples, podemos entender que a planta retira gás carbônico do ar e energia do Sol. A metáfora/metamorfose é bem simples na escrita: O que estamos absorvendo do próximo? O que aprendemos das nossas falhas? Estamos aprendendo com o "gás carbônico" das pessoas ou estamos jogando pra dentro dos nossos pulmões sem propósito de cura ou de lição? E a energia? Estamos filtrando o que pode nos auxiliar em nosso longínquo e doloroso processo evolutivo? Somos Sóis! Mas insistimos tanto em sermos um buraco negro, engolindo a luz dos outros, ao invés de refleti-la e iluminar galáxias. Se somos uma muda, será que uma muda não muda para se tornar uma frondosa árvore cheia de frutos? A natureza, embora silenciosa, é uma encantadora professora! A opção do aprendizado é nossa; podemos rastejar a vida inteira ou voar, a escolha é nossa.

SUICIDAS INDIRETOS
O silêncio soa como um universo paralelo ao nosso; está ali, aqui, em qualquer mísero espaço entre uma partícula de O2 e um átomo.
Apreciá-lo não precisa de convite, basta fazer algo simples e que todos nós temos homérica dificuldade: Calar-se. Desaprendemos a simplesmente respirar e ficar quieto ao mesmo tempo; todo mundo clama por uma fala, seja para mostrar seu entendimento, seja para ser participativo ou para se fazer necessário. É uma era onde todos suplicam serem necessários, porém, sendo cheios de vazio, estranho, não? Falas inúteis justificando o injustificável. O mundo ta barulhento mesmo, um barulho sem sentido, não tem harmonia, não é sincopado, nem composição lírica tem... Ta longe de ser algo que lembre uma música. Mas nesse barulho desafinado, e como resultado dessa equação de sons, dá pra ouvir espelhos se partindo e seus cacos criando um repique no chão. Milhares deles, como se fosse uma chuva torrencial de reflexos partidos em pleno solo. E o que vemos nos dá uma oportunidade única de reforma íntima: Imagens. Imagens partidas são egos rachados, deixe de lado sua vaidade desnecessária e preste atenção. Imagens não tem som, mas tem significado! É uma arte tal qual a Capela Sistina de Michelangelo, a Monalisa de Da Vinci, O Grito de Munch... Mas de todas, eu fico com a de Francisco Goya: "Saturno devorando um filho". Ela sintetiza o que nós fazemos com a nossa imagem egocentrista e com o silêncio. Precisamos aprender que muitas vezes vale mais a pena engolir o orgulho em prol do amor do que sofrer por deixá-lo morrer. Somos todos suicidas indiretos.
SOCIEDADE PESADA?
Engano seu! Está mais leve que um grão de poeira em pleno aviso de chuva.
Difícil ser pesado (no sentido de consistente, denso e intenso da palavra) quando os egos estão inflados e "cheios" de si.
A dieta de hoje não é da intolerância a lactose, e sim da impaciência, da empatia, do pensar coletivo, do orar pelo próximo e da falta de interpretação de texto...
O que sai da boca logo cai numa peneira velha e furada e a polpa do real significado daquilo que se tentou dizer vai pro ralo.
Insegurança! É mais fácil agredir do que entender, é mais fácil fugir do autoconhecimento e da reforma íntima do que iniciar um julgamento pensando pelo bem.
Sim, todo mundo julga, mas julga errado, julga mal... Já que vai julgar de qualquer jeito, julgue pelo bem, aposte no ser, invista que dele sairá boas intenções. Pra que começar pelo mal? Deixe o bem mostrar que ele faz bem!
Mentes vazias! O selfie é mais importante que o bom dia. As curtidas, os seguidores, a preocupação em ser um formador de opinião é a bola da vez, num jogo de sinuca onde a mesa tá desnivelada, tá manca e o taco tá sem ponta.
A mesa é a nossa sociedade, pesada. A bola são as nossas opiniões, onde tentamos empurrar caçapa abaixo, custe o que custar. O taco?
Bem, o taco deveria ter na ponta um retalho branco sendo movimentado pra lá e pra cá...
Paz, quero paz e sei que muitos também querem, a questão é que já tem muita gente pegando este retalho, juntando suas pontas, colocando tudo dentro e dando área.
Afinal de contas, é melhor fazer a trouxa do que ser o trouxa.

VOCÊ SE ACEITA OU SE MAQUIA?
Como você educa seus valores morais? Você os educa?
Como você potencializa a sua humildade? Ela tem importância para você?
Como você lapida o seu orgulho? Você sobreviveria sem views, sem seguidores e sem likes?
Você tem preguiça de enfrentar seus defeitos? Você os terceiriza?
De fato, há muitas coisas na vida as quais somos impotentes para resolver: O ambiente ao qual fomos criados, perdas não explicadas, abusos não resolvidos, situações humilhantes jogadas debaixo do tapete, eventos do mundo exterior... ... ...
Parabéns! Somos semelhantes, além do hereditarismo, além da moda, além da massa de manobra e com um miasma idêntico a toda espécie: O nosso ego!
O que muda é como você o nutre e onde você o coloca. Para descobrir qual o posto que você o elegeu é simples:
- Ao invés de enchê-lo de maquiagem, esteja com ele de forma construtiva, aceite de boa as espinhas, as rugas, a pele oleosa e o cabelo ao vento.
- Você precisa fazer pose sempre? As vezes é mais sedutor ser espontâneo do que instantâneo.
- Você protege tuas fraquezas criticando a direita ou a esquerda? Adote os conceitos da geometria, uma linha reta é infinita, já pensou a expansão disso?
- Necessidade exagerada em opinar? Como você pretende se simpatizar com a opinião dos outros se você está focado somente em si?
- Muito selfie e pouco self? Lembre-se que o ego é um complexo cujo o núcleo é o self, dê mais selfies em seu self!
- Você precisa de holofote? Veja quanta luz tem dentro de você!
Perceber é tão mais prático do que esconder ou entorpecer. Abandone a síndrome da casta elitizada e perfeita, das fotos impecáveis, dos sorrisos irretocáveis, das proas das lanchas ou das selfies dentro de jatinhos e os ângulos sempre perfeitos.
Enquanto não inventarem um embelezador da vivência humana, seremos todos iguais, com gordurinhas localizadas, olheiras, suor, cabelos rebeldes e insatisfeitos com alguma coisa.
Você já se perguntou alguma vez se seu ego serve para alguma coisa ou se você o serve para algo?

ADUBOS RACIONAIS
Em breve, seremos adubos metidos a besta!
Me impressiona a prepotência humana: Irrefutavelmente seremos pó e depois adubo para micro-organismos insignificantes, mas que aguardam pacientemente o dia que passaremos da constelação para a cova.
Constelação porque muitos creem que são maiores (ou mais importantes) que seu corpanzil físico a ponto de acharem legítimo apenas as suas convicções e pensamentos, em uma espécie de grandeza hiperbólica e hedonista.
Palpitam veementemente na vida alheia, estipulam regras, são mestres em arquivar mágoa e relembrar ressentimentos, veteranos egoístas até mesmo em dar passagem no trânsito e mal educados quando esbarram com outro corpanzil, que talvez seja até mais egocêntrico que o dele.
O mundo dos holofotes nunca esteve tão sem luz quanto agora, me refiro a luz da alma, dos valores intangíveis e não das marcas que você usa ou das viagens que você fez (isso é preço).
Preço é coisa de adubo, por isso Deus determinou nossa jornada existencial na matéria como "nascimento, aprendizado e morte" com tanta sapiência.
Já imaginou se fôssemos eternos em nossa ignorância?

FÉRIAS PRA ELAS? JAMAIS!
A oportunidade em conquistá-la foi única e passou velozmente, como num piscar de olhos e quando me vi, já caminhava de mãos dadas. Moral da história: Jamais dê férias as suas pálpebras.

O TEMPO… E O ESPAÇO
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- Obrigado terapia, obrigado!