
Amores e dores
De amores e dores, todos conhecem um pouco. Porém, mesmo dentro do amor há limites e a ausência corrói o sentimento aos poucos. Parafraseando Caio A. Leite: eu gosto de você, mas você erra ao pensar que eu vou esperar para sempre, ao pensar que eu tenho todo tempo do mundo. Mas há um paradoxo: Se nada resiste ao tempo, como temos todo o tempo do mundo? Qual a razão de persistir? O nome disso se chama esperança! A esperança é uma senhora teimosa, que não respeita nem o tempo, mas entende que a sua persistência invoca a terceira palavra deste texto: dores, no entanto, este sofrimento, passa por um ciclo interminável de cura e dor, ao qual eu chamo de disciplina. A disciplina é o ato de não jogar fora todas as chances de ser feliz só porque uma não deu certo, é entender que o amor sem esperança só possui um cenário: o refúgio da morte. A disciplina é entender (e muitas vezes esperar) que o mundo é uma esfera e portanto, dá voltas. A disciplina é dar o seu melhor, se entregar sem pensar no reembolso, no troco, na recompensa, Aliás, quem pensa em troco, geralmente vive de esmolas, a disciplina e a esperança não aceitam migalhas. Mas a disciplina sem esperança se torna um investimento de energia perigoso: é necessário vislumbrar algum tipo de resultado. Sem esperança, a disciplina se perde entre mudar o que precisa mudar e não mudar o que já foi mudado. É deixar de procurar, de almejar, de conquistar e descobrir que você não merece correr atrás daquela pessoa que só foge de você, a vida não pode ser uma inesgotável brincadeira de “esconde-esconde”, é preciso mesclar com o “pega-pega” também. A vida (e o tempo) são curtos para superficialidades, se você acredita no seu sonho, se você acredita no caminho que optou, na pessoa que escolheu, na carreira que se identificou, não há outra alternativa pra você a não ser o de perseverar. Perseverar sem medo da exposição, da fragilidade sentimental que isso implica e, embora a perseverança esteja além daquilo que os nossos olhos são capaz de ver, é preciso ter um outro coadjuvante entre disciplina e esperança: A fé!

Você se ama ou ama se…
Um dos maiores equívocos que cometemos é o de alimentar expectativas, e é no campo do amor que isso se evidencia mais. No amor, por exemplo, procuramos a vida inteira a pessoa que queremos passar o resto de nossas vidas, quando na verdade, o mais assertivo, seria o de se tornar a pessoa que você deseja passar o resto de sua vida e, com certeza, postulantes surgirão. O amor se encontra na naturalidade de cada um e, por ser único em cada pessoa, não deve ser julgado ou moldado à maneira do outro, isso é sentimento de posse, uma condição simplista e mal interpretada do amor. Entretanto, nos dias atuais, estamos confundindo naturalidade (liberdade de ser individual) com superficialidade (egolatria e individualismo), queremos comandar! Queremos impor nossas necessidades e jogar nosso histórico de fracassos e sombras internas no colo do outro. Vale lembrar que embora não haja matemática no amor, existe uma regra imutável: para amar ao próximo, é preciso se amar antes. Carl Gustav Jung é autor de uma frase que sintetiza muito a dificuldade de nos relacionarmos nos dias atuais: "Conhecer a sua própria escuridão, é o melhor método para lidar com a escuridão dos outros". Perceba peculiarmente nessa frase que a questão é "lidar com a escuridão dos outros" e não "conhecer ou entender a escuridão dos outros". Muitas vezes você não terá acesso a este "porão" da pessoa e , a bem da verdade, muitos nascem, crescem e morrem sem nem ter conhecimento desse porão. Por isso, fica claro e nítido que amar é ter empatia e respeito por tudo que vem do outro, principalmente pelo seu "porão", é entender que se ele ainda não pegou vassoura e a pá pra dar aquela faxina no porão dele, é porque a sujeira ainda não incomoda, ao invés de se preocupar com a obrigação que é dele, atenha-se a sua! Ninguém tem porão livre de poeira e de sujeira nessa vida, entender o contrário disso, é viver uma ilusão gerada pelo ego. Em linhas gerais, amar é se tornar, gradativamente, um ser pleno, ou seja, alfabetizar suas emoções de acordo com as emoções e sensações do outro. É entender que amar não é encontrar a pessoa certa, é se transformar na pessoa certa, porque amar é transmutar, é traduzir, é passar (quando útil) por uma metamorfose em busca de crescimento e maturidade para, acima de tudo, continuar seguindo, juntos, como seres individuais, não individualistas.

SERÁ QUE A GENTE MUDA?
A genética é incrível, principalmente quando se trata de mudanças. A metamorfose é uma delas! Escrita no Templo de Delfus na Grécia antiga, Sócrates foi o primeiro bípede pensante a tentar decifrar e alertar que a metamorfose não se aplica somente ao reino animal, e dói tanto quanto para nós! Já imaginou a dor de uma lagarta entrando em sua crisálida e depois saindo como uma borboleta? As meigas joaninhas também passam pelo mesmo processo, abelhas passam, gafanhotos e mamíferos também. Se você almeja "voar" conscientize-se de que antes você passará pela dor da mudança. Para mudar, precisamos entender os efeitos da fotossíntese e a aprender com uma outra classe existencial, a das plantas. O reino vegetal nos ensina de forma simples que o que formula uma parte da nossa inteligência e existência é o fato de assimilar experiências e ensinamentos vida afora. De forma prática, a fotossíntese é definida como um processo em que a energia solar é capturada e as moléculas orgânicas são produzidas, ou seja, as plantas absorvem energia solar e a transformam para produção de seu próprio alimento. De forma simples, podemos entender que a planta retira gás carbônico do ar e energia do Sol. A metáfora/metamorfose é bem simples na escrita: O que estamos absorvendo do próximo? O que aprendemos das nossas falhas? Estamos aprendendo com o "gás carbônico" das pessoas ou estamos jogando pra dentro dos nossos pulmões sem propósito de cura ou de lição? E a energia? Estamos filtrando o que pode nos auxiliar em nosso longínquo e doloroso processo evolutivo? Somos Sóis! Mas insistimos tanto em sermos um buraco negro, engolindo a luz dos outros, ao invés de refleti-la e iluminar galáxias. Se somos uma muda, será que uma muda não muda para se tornar uma frondosa árvore cheia de frutos? A natureza, embora silenciosa, é uma encantadora professora! A opção do aprendizado é nossa; podemos rastejar a vida inteira ou voar, a escolha é nossa.

SUICIDAS INDIRETOS
O silêncio soa como um universo paralelo ao nosso; está ali, aqui, em qualquer mísero espaço entre uma partícula de O2 e um átomo.
Apreciá-lo não precisa de convite, basta fazer algo simples e que todos nós temos homérica dificuldade: Calar-se. Desaprendemos a simplesmente respirar e ficar quieto ao mesmo tempo; todo mundo clama por uma fala, seja para mostrar seu entendimento, seja para ser participativo ou para se fazer necessário. É uma era onde todos suplicam serem necessários, porém, sendo cheios de vazio, estranho, não? Falas inúteis justificando o injustificável. O mundo ta barulhento mesmo, um barulho sem sentido, não tem harmonia, não é sincopado, nem composição lírica tem... Ta longe de ser algo que lembre uma música. Mas nesse barulho desafinado, e como resultado dessa equação de sons, dá pra ouvir espelhos se partindo e seus cacos criando um repique no chão. Milhares deles, como se fosse uma chuva torrencial de reflexos partidos em pleno solo. E o que vemos nos dá uma oportunidade única de reforma íntima: Imagens. Imagens partidas são egos rachados, deixe de lado sua vaidade desnecessária e preste atenção. Imagens não tem som, mas tem significado! É uma arte tal qual a Capela Sistina de Michelangelo, a Monalisa de Da Vinci, O Grito de Munch... Mas de todas, eu fico com a de Francisco Goya: "Saturno devorando um filho". Ela sintetiza o que nós fazemos com a nossa imagem egocentrista e com o silêncio. Precisamos aprender que muitas vezes vale mais a pena engolir o orgulho em prol do amor do que sofrer por deixá-lo morrer. Somos todos suicidas indiretos.
FÉRIAS PRA ELAS? JAMAIS!
A oportunidade em conquistá-la foi única e passou velozmente, como num piscar de olhos e quando me vi, já caminhava de mãos dadas. Moral da história: Jamais dê férias as suas pálpebras.

Aprendizado amargo para um futuro doce
São anos letivos ininterruptos. São dias e noites a fio tentando entender suas equações. São anos de recuperação. Ninguém passa direto (isso se passar). Uns são prodígios em química, outros em física, ainda outros em aritmética. Uns adoram versar. Outros adoram calcular e ainda outros adoram filosofar. Quem falta ou burla a chamada tem como penitência a involução.

Casal quando quer…
Casal quando quer abandona a vida estilo filme independente; monótona, repetitiva e com diálogos singulares. (mais…)

Réus confessos
A nossa mania de perseguição é a curiosidade. Embora seja fascinante desvendar o que nos desperta interesse, isso pode ser letal...
... E foi. (mais…)

Razões desafinadas
As razões são desafinadas porque os propósitos não são orquestrados. A gente ensaia o que vai dizer e depois se engasga com o soluço da incerteza. (mais…)

Remanejamentos
Quando surge a ausência à perfeição se mostra onipresente.
Elas andam juntas, dependem mutuamente uma da outra para a sua sobrevivência sentimental. (mais…)
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