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O tempo passa apressado

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23abril 2018
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O tempo passa diante de tudo que se pode ver, tocar, cheirar e sentir. O tempo passa diante do espelho e diante dos nossos anseios em saber da inevitável transformação da aparência.

O tempo passa diante dos quadros, dos livros mofados e dos aposentados inanimados pela presença de outra ausência: o amor! A mais invisível e letal das ausências: o amor!

O tempo passa apressado para um amor ofertado, e que já não é mais ofertado porque o tempo passou apressado. Passou tão apressado que você não o sentiu, não o viu e, em alguns casos, não fez questão de abrigá-lo porque o desdenhou e confiou na sorte, sem lembrar que a sorte subestima o tempo, mas nunca a própria sorte.

O tempo é um ponto de vista, mas nunca uma visão vista sobre um ponto!

O tempo passa tão apressado… Ainda bem que passa apressado! Já imaginou um domingo vagaroso, com uma ressaca letárgica e com uma enxaqueca inesgotável? E uma segunda feira eterna? E uma dor no dente em pleno feriado?

O tempo passa apressado para dar significado à beleza, porque tudo que existe de belo deve ser passageiro. Só enxergamos a beleza quando a mesma é mutável, inovadora e inédita. O belo estagnado não é belo, é cômodo, neutro e tanto faz como tanto fez. Um dia você gostou e amanhã você se desfez!

Nada é definitivo!

Não existe a palavra “tempo” nos versos que componho porque pretendo cravar meus versos no próprio tempo e transformá-los em eterno! O tempo passa apressado para mim também, amanhã não estarei mais aqui, mas meus versos falarão por mim, no silêncio acalmado de uma leitura ou de uma noite fria de inverno!

Nada permanece permanente!

Muda-se a cor dos rios, a cor dos teus cabelos, a cor da casa que um dia morei. Muda-se o formato das nossas roupas porque elas dançam graciosamente no formato do nosso corpo. Mudam-se as idas que hoje são somente vindas e muda-se a vida também!

O tempo passa apressado num abraço apertado, em um romance jurado num olhar desviado, em um amor configurado e no divino enlace de duas almas que se amaram num tempo que já passou apressado e que hoje passa aproveitado!

O tempo passa apressado, o tempo passa atavicamente, mas ele fica também!

Ficam as doces melodias que nos trazem à tona uma pessoa que nos deixou e que encontraremos certamente em outra vida. Ficam os lugares, aromas, paisagens, estradas… A saudade é a amiga inseparável para aqueles corações que souberam amar!

Ficam as lágrimas percorrendo o mesmo rosto, renovadas apenas pelas recordações e pela esperança de um reencontro!

Fica a história que se construiu com alguém e os contos que não se materializaram…

Muita coisa fica, perdura e sobrevive: gestos, boas ações, sorrisos estampados translucidamente na memória… Desencontros… Ficam as cartas de amor, as fotografias, as bugigangas na prateleira, tocadas apenas para a remoção da poeira.

Ficam os filmes, ficam os ensaios, ficam os palcos que um dia pisamos e ficam as luzes da ribalta a iluminar, num futuro próximo, outras pessoas que por lá irão passar…

… Passar apressadamente, porque o tempo não permite a inércia, e outros precisam passar só para o tempo renovar.

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