Perdoar não é estancar o ferimento, nem tampouco curar a dor.
Perdoar é sentir a dor, mas não cutucá-la; é dar um outro significado à ela, enquanto ela dói, até acabar a dor.
Perdoar não é se diminuir ou ser cúmplice do erro alheio. Você não pode falar pra quem te magoou: “ah, não foi nada, jaja passa”, você tem direito, inclusive, de pedir uma pausa, para processar e ressignificar.
Perdoar nem sempre é confiar; acreditar 100% que a pessoa não fará de novo é cometer dois erros conseguintes: a ingenuidade e a projeção.
Perdoar não significa perdoar mil vezes o mesmo erro, isso não é ser resiliente, santo ou perfeito, é ser gado manso, cada gesto novo de perdão, necessita de uma nova mancada.
Perdoar é perdoar, sem escolher posições ou pedidos mirabolantes, quem errou precisa de compreensão, não de escravidão.
Perdoar não modifica o estado das coisas, elas não voltam no tempo.
Perdoar não significa se reconciliar, você pode perdoar uma pessoa e excluí-la do seu círculo social.
Perdoar possibilita avanço, maturidade, desbloqueio, libertação.
Você não pode ser pai se não perdoar seu pai, você não pode se tornar mãe, se não aprender a perdoá-la, você não pode ser um grande empreendedor se não aprender a perdoar falhas da sua equipe.
A gente só se reconhece quando perdoa, a gente só tem oportunidade quando perdoa, porque perdoar é dar-se uma chance a você mesmo porque você, inexoravelmente precisará de perdão, por algumas centenas de vezes na vida.
Perdoar é a construção de um viaduto onde você passará.
Perdoar é o caminho mais curto e inteligente que você pode percorrer, porque estamos aqui, nesta jornada, condenados e fadados a amar e a fazermos o bem.
Recusar a prática do perdão é alongar este caminho, apenas isso.
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