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Você toma café?

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25abril 2018
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Sim, não como gostaria, porque tenho restrições estomacais, mas os que eu tomo, eu tomo com imensa satisfação.

Satisfação porque eu coloco este tenro momento em catarse e assim, divago nas leituras da alma.

O café matinal é o momento da reinauguração da minha jornada, ou, se preferirem, a inauguração de mais um dia de existência; é o momento de introspecção, de resgate de memória, de se preparar para os desafios do dia.

O café da tarde (um pouco depois do almoço) é o café da mutação; as dúvidas se convergem em improvisos, as obrigações viram comprometimento, alguns termos viram meio-termo e algumas reticências se exclamam.

O café da tarde, mais tarde, é o momento da transformação; o sereno suaviza, o intenso se branda, a imposição se posiciona e o lixo que leio nas redes sociais se reciclam pela máquina do desprezo.

Ah, o café…

Nada melhor que o café para despertar e despontar. Despertar para um mundo ilimitado de assuntos (sem pseudo entendidos falando o tempo inteiro de chatices como política, corrupção, impeachment) como se a verdade deles fosse absoluta.

O mundo tá um porre onde o desamor é a ressaca, erroneamente.

Inexiste discernimento, é gente demais promovendo o ódio e gente de menos mandando flores. Personalizamos a discórdia e a transformamos em atitudes rotineiras como se fosse qualidade do ser.

Ninguém tem o direito de errar que já pensamos: “Foi por querer.”

A crítica se institucionalizou em nossa sociedade; tudo é barraco, tudo é pau, é pedra e torcida para o fim do caminho e – de quebra – muita gente achando que dar toco no próximo é a vida… É o sol.

Engana-se meu amigo: É o fundo do poço, é o fim do caminho.

É por isso que para evitar o desgosto eu fico um pouco sozinho, tomando meu café. É o momento onde eu me aceito do meu jeito, sem alegorias e sem maquiagem comportamental. É o momento de pensar no frio que não existe nessa terra, no calor de dezembro e na ilusão das águas de março.

Ah? Me esqueci.

Todos com leite, cafeína demais me tira um outro momento, tão importante quanto estar acordado; o de sonhar por um mundo melhor.

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