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De grife a pano de chão

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23abril 2018
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Sabe aquela camiseta que você ama de paixão e que gostaria de ter mais de duas só para revezar com os dias da semana? Ela te faz um bem irracional e incógnito… Exerce um poder inexplicável sobre a sua autoestima; você fica mais cheio de si e mais confiante até mesmo para com as suas relações sociais…

Porém, seguindo o dress code tradicional, você não tem uma cópia desta “camiseta mágica”, então você, entorpecido pela energia positiva que ela oferece ao seu Alter Ego, começa a usá-la com freqüência, dia sim, dois dias não…

De repente, sua vivacidade começa a desbotar feito um livro aberto exposto ao sol. Foram tantos “lava/seca/passa” que ela não resistiu: Sua gola esgarçou, sua manga alargou e um pequeno furo jaz logo abaixo da sua estampa – em um local malditamente visível… E comentado.

No âmbito desesperador de continuá-la a usá-la, você restringe este relacionamento a quatro paredes, mas, com o poder degradante do tempo, aquele pequeno furo se torna um rasgo e você obrigatoriamente a transforma em um pano pra lavar seu carro, sua moto ou a sua bicicleta.

Você depositou tanto amor naquela mistura de poliéster com algodão que agora perdeu toda a sua avaliação como indivíduo perante o mundo que você vive…

Expressada em afeto, aquela camiseta incitava em você uma pessoa sorridente, confiante, e que agora vivia em campo neutro, sorrindo à conta gotas, hipotecando suas vontades, fazendo prestação da felicidade… Um ser opaco, eu diria.

Para centenas de pessoas, a baixa estima provém do excesso de peso, do poder aquisitivo desnivelado, da falta de emprego. Para você, o desafio maior é a rejeição pela punição traduzida na relação tempo e uso da camiseta que, de um dia para o outro, lhe abandonou.

O tempo desgasta, mas o tempo também contrasta e, com o amor próprio ameaçado, você vai pra rua à procura de uma nova vitrine, uma nova concepção e porque não de uma nova inquietação?

Afinal de contas, aquela camiseta vivenciou uma história com você, mas já passou, virou pano de chão e outras novas histórias precisam dar vazão a todo este conjunto de sensações, reações e intempéries que somente um ser racional possui.

Ser você depende somente de você. Não é isso que prega os mandamentos do senso comum?

Assim como a camiseta, o amor um dia desbota e precisamos estar oferecidamente ávidos para uma nova história, um novo recomeço e com uma nova camiseta para sair com este futuro grande amor.

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