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Aquele par que virou ímpar

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23abril 2018
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Meu micro universo novamente possui gavetas vazias aptas por novas roupas. Os porta-retratos iniciaram uma nova dieta (aguardando o prefácio de mais uma nova história). 

Neste ambiente – outrora poluído por tantas presenças – reina uma paisagem semi inaugural, convidativa, hospitaleira. Me cativa essa transição de “amontoação vs desocupação”, dá pra desmedir o tamanho da minha carência e do meu alívio auditivo das vozes que habitavam ilicitamente os meus ouvidos. 

Amor e felicidade são ambulantes que perambulam pela mesma calçada e pelo mesmo ambiente, mas não significa que moram juntos ou que ataram um relacionamento, são no máximo roommates! 

E diante dessa profusão de imagens e odores eu desconstruo os mitos de uma vida tradicional e construo os medos de uma vida passional. Solidão ás vezes é uma amiga que não tem semancol pra levantar e ir embora. 

É fácil gostar do que é fácil: Não brigar nem pelo último pedaço de torta holandesa que sobrou na geladeira; não discutir por coisas pequenas, não se exaltar pelos hábitos alheios, entender as razões, compreender as vontades mesmo não sendo você a vontade, enfim… Gostar do que é fácil é muito fácil. 

E neste ambiente não testemunho mais a minha saudade. Puxei o fio da tomada e me desliguei provisoriamente, até ficar ligado em outra desventura; Como é gostoso abraçar as almofadas. Como é gostoso dormir com os travesseiros espalhados pelo colchão e como é bom chegar e não ter a emoção de ter alguém te esperando… 

Veja o lado lúdico do amor: 

Um quebra cabeças só pode ser preenchido e desvendado a sua arte com peças diferentes. Um cubo mágico possui dezenas de cores, mas as cores iguais preenchendo os lados tornam o objeto muito mais atraente, entretanto, brincar de “resta um” faz com que aquele par se torne ímpar. 

Mesmo assim, ainda é melhor do que viver a meticulosidade e a estratégia arquitetada de um jogo de xadrez. 

O amor pode ser um jogo prazeroso, mas nunca um jogo de compensações.

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