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Antes só do que mal apaixonado

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25abril 2018
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Rodeado de fingidos, como se fosse um jogo de Pôquer, a gente chega num momento da vida em que dissemos para nós mesmos: É melhor estar só, do que mal apaixonado.

Entretanto, pedimos – lá no inconsciente – para que tenhamos alguém que nos assista e nos rebobine quantas vezes acharmos necessário.

Olhamos a nossa volta e cansamos!

A mesma “modice”, a mesma mesmice, a mesma idiotice. Tirando o ar, tudo que gravita a nossa volta se faz desnecessário, perde o brio, a coloração, a fantasia.

O passaporte perde a validade e nos sentimos imigrantes clandestinos diante dos nossos encaixes.

Encaixes? Sim, encaixes.

Existem pares que são pares e por isso são pares…

Existem os pares que nasceram sem um par e que passam a vida à procura desse outro par, aos quais chamamos de ímpar.

Existe o encaixe neutro, aqueles que combinam tanto com os pares e os ímpares, mas que continuam neutros porque de tanto escolherem o encaixe ideal, permanecem desencaixados e sem a sua tão sonhada medida.

Os pares neutros, geralmente sentem um certo incômodo no cotovelo ao ver um casal feliz – como se fosse uma predileção da sorte sermos escolhidos pelo destino para formar uma união, mas se esquecem que par ideal não existe, partes ideais sim.

Alguns ficam na torcida inversa, de costas para o campo, torcendo para uma ligação repentina com choro de fundo, torcendo por um whatsapp escrito “Amiga, brigamos, me ajuda?” Ou mesmo na torcida silenciosa(aquela vibração sórdida, porém calada que a pessoa faz em seu âmago).

Ecos de um mundo adulterado; pessoas que preferem ser “mais uma”, ao invés de “serem a única”.

Por isso é bom amar no anonimato, assim distanciamo-nos dos que não possuem a competência de sentir o amor.

Por isso é bom desapegar das coisas mundanas e dos encontrinhos sociais nas baladas e bares para se apegar a novas oportunidades, porque o amor sempre nos perdoa, ele sabe que precisamos nos oferecer erroneamente ao provisório para um dia capricharmos assertivamente no permanente.

O mundo provisório é povoado pelos neutros, porque os neutros não arriscam, não pulam o muro e muito menos se atiram ao precipício. Para eles, frio na barriga é ver o pretendente no whatsapp on line ignorando sua presença.

Para eles, suspiro é aquele docinho brega de padaria. Apaixonado é coisa de sessão da tarde e companheirismo é esquenta com os amigos.

Certo ou errado, apropriado ou inadequado, traduzir o amor é um ato de sensibilidade e coragem.

Amor: 4 letras, 2 consoantes, 2 vogais e 2 humanos aptos a juntarem forças e fazerem o mundo girar.

Medo: 4 letras, 2 consoantes, 2 vogais, 1 pessoa e 1 estado (solidão) fadados as fugas e as locadoras aos finais de semana.

Amor e medo: A diferença gramatical é sutil…

Só a gramatical.

Quem tem medo de errar jamais conhecerá a felicidade. A felicidade é feita para quem tem coragem em sofrer.

 

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