
Amores e dores
De amores e dores, todos conhecem um pouco. Porém, mesmo dentro do amor há limites e a ausência corrói o sentimento aos poucos. Parafraseando Caio A. Leite: eu gosto de você, mas você erra ao pensar que eu vou esperar para sempre, ao pensar que eu tenho todo tempo do mundo. Mas há um paradoxo: Se nada resiste ao tempo, como temos todo o tempo do mundo? Qual a razão de persistir? O nome disso se chama esperança! A esperança é uma senhora teimosa, que não respeita nem o tempo, mas entende que a sua persistência invoca a terceira palavra deste texto: dores, no entanto, este sofrimento, passa por um ciclo interminável de cura e dor, ao qual eu chamo de disciplina. A disciplina é o ato de não jogar fora todas as chances de ser feliz só porque uma não deu certo, é entender que o amor sem esperança só possui um cenário: o refúgio da morte. A disciplina é entender (e muitas vezes esperar) que o mundo é uma esfera e portanto, dá voltas. A disciplina é dar o seu melhor, se entregar sem pensar no reembolso, no troco, na recompensa, Aliás, quem pensa em troco, geralmente vive de esmolas, a disciplina e a esperança não aceitam migalhas. Mas a disciplina sem esperança se torna um investimento de energia perigoso: é necessário vislumbrar algum tipo de resultado. Sem esperança, a disciplina se perde entre mudar o que precisa mudar e não mudar o que já foi mudado. É deixar de procurar, de almejar, de conquistar e descobrir que você não merece correr atrás daquela pessoa que só foge de você, a vida não pode ser uma inesgotável brincadeira de “esconde-esconde”, é preciso mesclar com o “pega-pega” também. A vida (e o tempo) são curtos para superficialidades, se você acredita no seu sonho, se você acredita no caminho que optou, na pessoa que escolheu, na carreira que se identificou, não há outra alternativa pra você a não ser o de perseverar. Perseverar sem medo da exposição, da fragilidade sentimental que isso implica e, embora a perseverança esteja além daquilo que os nossos olhos são capaz de ver, é preciso ter um outro coadjuvante entre disciplina e esperança: A fé!

Humanizar é a palavra de ordem
São pelo menos 7 guerras acontecendo agora, no mundo, isso sem contar na matemática social negativa, com números assustadores: Cerca de 25% do mundo não tem acesso a água potável, só no Brasil, são 33 milhões. Dezenas de conflitos acontecendo enquanto você toma o seu café da manhã apreciando o sol que perpetua lá fora, além do desmatamento (em escala evolutiva), enquanto você reclama da fechada que levou no trânsito. Em tempo: “desmatamento em escala evolutiva”: Será que somos uma espécie tão inteligente assim? Vivemos constantemente em um cenário de contrastes: zilhões sobrevivendo na indigência, poucos vivendo na opulência. E muitos (em pleno século 21) ainda se questionam: Mas o que eu tenho a ver com a penúria do outro? Diminuir a dor do outro deveria ser uma obra de arte, e na verdade é! Mas, em analogia aos grandes artistas da humanidade, são poucos que existem ou que existiram. Está na hora da sociedade se tornar uma imensa egrégora de artistas, muito mais amplo que o Museu do Louvre, em Paris. Já passou da hora de abandonar o automatismo pragmático de olhar somente para o umbigo e enxergar o outro com “olhos de ver”, com empatia, com solenidade, com zelo. Empatia: a arte de abrir o coração para o próximo e sentir o que ele sentiria, caso estivéssemos vivenciando a sua situação. A empatia abrange gestos que vão além do “dar um dinheiro pra quem precisa”; embora em muitos casos, a caridade material é fundamentalmente necessária, masssss, agradeça! Se você é um privilegiado, que tem a geladeira farta, saúde, casa, filhos na escola e uma cama bem quentinha, agradeça! Agradeça, mas contribua! Se você faz parte desse contraste notório na multidão, aumente seu grupo, enriqueça sua força, faça alguma coisa para que o outro também seja um contraste positivo, compartilhar o bem é potencializar vidas alheias.
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