
Afinal de contas, onde está Deus?
Bastou nascer para termos triunfos e revezes, mas por que uma quantidade desproporcional de revezes em relação as alegrias? Onde está Deus? Onde está Deus nessa trágica enchente do Rio Grande do Sul? Você tem questionado a existência de Deus? Deus está em cada telhado que suportou o peso de pessoas e animais. Deus está em cada mão estendida para entrar dentro dos barcos. Deus está em cada abraço encharcado de alívio por estar vivo. Deus está em cada resgate, em meio a um labirinto de água e casas parcialmente submersas. Deus está em cada braço daqueles que pararam os seus afazeres para carregar e descarregar suprimentos em caminhões, kombis, saveiros e carros de transporte em geral. Deus está em cada lancha, jet-ski, barco ou canoa de salvamento. Deus está na mobilização de aviões, helicópteros, bombeiros, homens do exército. Deus está em cada oração e emanação de energia positiva. Deus está em cada gesto gentil de pessoas que não se conheciam, mas que compartilham desse sofrimento de perda instantânea. Deus está dentro de cada coração, de cada gesto de carinho, afeto e amor que se emergiu dessa imensa tragédia. E Deus também está dentro daqueles que ainda permanecem nas falhas, como saqueadores e aproveitadores, justamente servindo de catequese sobre o que não devemos ser para os outros. Deus está nas lágrimas de quem está chorando, na alegria de quem se salvou, no coração dos milhares que se comoveram. Na verdade, Deus está dentro de cada um de nós, nos ensinando sobre empatia, sobre indulgência, caridade e igualdade, porque o Deus que habita em mim é o mesmo Deus que habita você, eles, os outros, todos nós, sem absoluta distinção. Deus está lembrando cada um de nós que devemos conviver na pluralidade, como uma imensa unidade, pois estamos num Planeta que se divide em escola e hospital. Tenho ampla certeza de que Deus está aí, do lado dos milhares de desabrigados, juntos no cimento frio de um ginásio improvisado, ajudando a todos a pensarem em como reconstruir tudo de novo.

EXISTE VIDA SEM FÉ?
O grande problema é que não tem matéria sobre fé nas escolas, desde que ela venha acompanhada de uma outra matéria adversa de outras: a religião. Qual o motivo de separarmos a ciência dessa “filosofia” uma vez que ela é parte de uma trindade basilar a qual crescemos sobre ela? Reforço que este texto não tem o propósito de convencer ninguém a qualquer tipo de religião, aqui, o tema será religiosidade. No atual mundo em que vivemos, ou nos deixamos esmagar pela realidade, que nos distancia da sensibilidade ao próximo, ou navegamos em mares que nos fazem descobrir camadas cada vez mais profundas de nós mesmos, aquelas em que a luz solar não chega, sabe? Independentemente de qualquer coisa, ela pode se dar de forma laica ou religiosa. Por isso insisto, aqui, falo de fé raciocinada, aquela fé que tem embasamento, que não é preconizada pelo fanatismo e por obscuridades que não se enxerga, a fé raciocinada se debruça em fatos e na lógica onde você tem certeza e essa certeza te faz compreender porque todo conhecimento liberta. A vida possui tantos capítulos inesperados e imprevisíveis, mas se temos algum conhecimento para nos apoiar, a nossa história, ou a próxima página, poderá ser compreendida e mais resiliente, a fé faz isso: ensina, prepara, consola. Entretanto, por não aprendermos o mecanismo ou o funcionamento dessa fé desde quando se aprende o “abecê”, as diversas amostras de religiosidade que ando vendo por aí não cobririam o pé de um santo sequer, e assim, todos passam frio e muitos buscam se esquentar no egocentrismo ilusório das redes sociais. Mas como evitar essa hipotermia sentimental? A pergunta mais cabível seria: Você realmente quer sair desse iglu que você criou à sua volta? Vejo marcas perambulando pelas ruas; indivíduos que passam do seu lado sem virar o pescoço para um olá, como tem passado? Chafurdados em suas ideologias, tentando persuadir o outro com suas verdades absolutas, vivendo uma absorta contradição: Não dão bom dia, mas não vivem sem os views do Instagram, fazendo qualquer coisa em busca do holofote. Mas e aquela luz que deveria vir de dentro? Por que tanta competição ou culto em ser desejado apenas fisicamente? Todos os humanos são iguais, mas alguns mais iguais que outros, é isso mesmo? Por isso a fé é algo tão maneiro, ela não une pessoas, ela unifica propósitos. Ela impacta e contagia quem quer ser “infectado” por ela, simples assim. Entretanto, e para tudo existe um tanto, a fé precisa vir do coração; religiosidade que não fala ao coração, morre na cabeça.
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